O Cidadão Biológico: Neuropolítica como Alvo e Perigo

A Neuropolítica está se tornando global. Para que fim? A que custo?

Christopher Lane

13-11-2015

Qualquer um que tenha assistido o thriller futurístico Minority Report (2002), baseado parcialmente em uma curta história homônima de Philip K. Dick, poderá se lembrar da cena em que Tom Cruise é filmado andando através de um reluzente shopping. Enquanto ele vagueia passando por anúncios interativos que usam reconhecimento facial, eles o chamam pelo nome e perguntam como ele está desfrutando de suas compras recentes.

Twentieth Century Fox Film
Fonte: Twentieth Century Fox Film

A publicidade é personalizada por algoritmos que lembram exatamente o que ele comprou – tecnologia não tão distante ou estranha a nós hoje, dado o uso disseminado no comércio virtual de cookies que rastreiam cada um de nossos movimentos online.

Mas como nós reagiríamos se a mesma tecnologia fosse usada por campanhas políticas querendo adequar silenciosamente suas mensagens às reações faciais dos eleitores aos seus anúncios, enquanto fazem microtargeting [micro-direcionamento, em tradução livre] em nós, eleitores em potencial? Isto pode soar como algo retirado de Admirável Mundo Novo de Huxley, 1984 de Orwell, ou Sob o Domínio do Mal [The Manchurian Candidate] (1982), o suspense ambientado na Guerra Fria sobre uma lavagem cerebral imaginada de uma proeminente família política. Mas como o New York Times veiculou mais cedo neste mês, “neuropolítica” [neuropolitics] – o termo adotado para denotar microtargeting comportamental furtivo em campanhas políticas – desempenhou um papel significativo em recentes eleições do México à Polônia e Turquia, e o neuromarketing comparável, de acordo com o jornal, está sendo introduzido vastamente em países como “Argentina, Brasil, Costa Rica, El Salvador, Rússia, Espanha e, em muito menor medida, nos Estados Unidos”.

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