Aliviando A Dor

Psicólogos estão explorando terapias complementares e abordagens integradas para tratar melhor do complexo problema da dor crônica

Por Stacy Lu

Psychologists are exploring complementary therapies and integrated approaches to better treat the complex problem of chronic pain.

Se o câncer é “o imperador de todos os padecimentos”, como o médico e autor Siddhartha Murkherjee escreveu, a dor crônica pode ser a imperatriz, afetando 100 milhões de pessoas nos Estados Unidos e custando até $630 bilhões a cada ano em tratamentos e perda de produtividade, de acordo com um relatório de 2011 do Instituto de Medicina (Institute of Medicine – IOM). Para muitos, a dor crava garras e corta profundo. Uma pesquisa de 2012 financiada pelo Centro Nacional para Saúde Complementar e Integrativa (National Center for Complementary and Integrative Health – NCCIH) descobriu que por volta de 25.3 milhões de adultos nos Estados Unidos – 11.2 porcento – estiveram em dor por todos os dias nos três meses precedentes, e quase 40 milhões experimentaram dor severa.

Americanos geralmente buscam alívio da dor em pílulas, com algo entre 5 milhões a 8 milhões usando analgésicos opióides para aliviar a sua dor, de acordo com um relatório de 2015 dos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health – NIH). Esse número tem aumentado muito, de 76 milhões de prescrições em 1991 para 219 milhões em 2011.

Mas medicação não funciona para todo mundo, e o número de pessoas viciadas ou que tiveram overdose de analgésicos vem crescendo, o relatório apontou. Cirurgia, outra opção de tratamento para alguns tipos de dor, é caro, frequentemente inefetiva e pode requerer uma longa recuperação. Enquanto isso, pesquisas sugerem que a dor crônica é uma condição complexa que envolve emoções, incluindo estresse e ansiedade, percepções e influências sociais.

Sob a luz desses ‘insights‘, um número de agências governamentais estão lançando uma estratégia nacional para a dor para supervisionar a pesquisa, prevenção e tratamento da dor crônica (veja aqui). A estratégia chama atenção para o impacto debilitante da dor crônica na saúde pública, e mapeia cuidado coordenado, compreensivo que atenda melhor a experiência dela de cada pessoa, disse Linda Porter, PhD, conselheira de políticas para a dor no Instituto Nacional de Transtornos Neurológicos e Derrame, que faz parte da supervisão do comitê do projeto.

“Nós estamos procurando por uma abordagem multidisciplinar e múltiplas modalidades, incluindo medicina complementar, e por uma maneira de compensar por essas estratégias – uma maneira que realmente dirija-se aos aspectos biopsicosociais da dor”, ela diz.

Em sincronia com essa mudança, cientistas estão depositando mais esforços em estudar terapias complementares, incluindo hipnose, meditação e ioga, que possam ser capazes de aliviar a dor com menos efeitos colaterais e ajudar as pessoas a gerenciar seus próprios sintomas. O cuidado deve ser adaptado às necessidades de cada pessoa e um plano de tratamento da dor deve envolver psicólogos, clínicos de cuidados-primários e fisioterapêutas explorando esses caminhos para agregar positivamente às abordagens tradicionais de gerenciamento da dor, dizem os especialistas.

“Nenhuma destas terapias é a cura em si – é um fator de combinação entre a pessoa e o melhor tratamento”, diz o psicólogo Mark Jensen, PhD, do departamento de medicina da reabilitação da Universidade de Washington. “Nossos achados indicam que há um bom número de tratamentos psicológicos que podem beneficiar subgrupos de pessoas tremendamente. De fato, dada a sua eficácia geral e a ausência de efeitos colaterais negativos, estes deveriam provavelmente ser considerados tratamentos de primeira-linha para muitas condições de dor crônica.”

A Promessa da hipnose

Estudos usando tecnologia de imageamento-cerebral, assim como fMRI (Imageamento por Ressonância Magnética funcional, PET (Tomografia por Emissão de Positrons) e EEE, têm mostrado que a experiência de dor crônica envolve múltiplas áreas do cérebro. Como o neurocientista Apkar Vania Apkarian, PhD, da Universidade Northwestern, escreveu em Pain Manegement (Gerenciamento da Dor, em tradução livre) em 2011, enquanto a dor aguda geralmente ativa as regiões corticais somatosensorial, insular e cingulada, a dor crônica ativa primariamente o córtex pré-frontal e os sistemas límbicos, áreas relacionadas com a emoção e auto-reflexão. Além disso, diferentes tipos de dor ativam diferentes padrões de atividade.

Muitos estudos têm provado que diferentes sugestões hipnóticas podem alcançar todas as áreas do cérebro envolvidas no processamento da dor, habilidade que é uma tremenda vantagem para o tratamento de um problema tão complexo, de acordo com Jensen e seu colega David Patterson, PhD, da Universidade de Washignton, em um artigo de 2014 para a publicação American Psychologist. Escaneamentos cerebrais mostram que sugestões para diminuir a intensidade da dor provocam uma resposta em algumas regiões, enquanto sugestões que aumentam a aceitação da dor – talvez encorajando pacientes a examiná-la à distância ou a perceber que ela é temporária – trará registro em outras.

“Hipnose é uma das coisas mais promissoras que nós podemos oferecer para retreinar a resposta à dor do cérebro”, diz Patterson.

Em soma ao alívio da dor, muitos participantes de estudos relataram que após a hipnose eles experimentaram benefícios como melhoria do sono, relaxamento ampliado e aumento na energia. Auto-hipnose – e as sugestões que ela vai proporcionar para confortar na demanda – ajuda pacientes a praticar terapia no seu próprio tempo.

“Esses são tratamentos onde pacientes são ensinados a pescar. São dadas a eles habilidades para ajudar a si mesmos”, disse Jensen.

Dito isso, pesquisadores ainda estão procurando por uma resposta clara para o como a hipnose reduz a dor. Pessoas com algum nível de ‘hipnotizabilidade’ parecem apresentar uma redução no julgamento crítico enquanto estão sendo induzidos à hipnose, aceitando sugestões passivamente e sem juízos, diz Patterson. Jensen aponta que há mais atividade elétrica de onda theta no cérebro durante tal estágio, sugerindo um padrão de atividade cerebral que é consistente com a resposta a sugestões.

“É como se nós pudéssemos falar diretamente às áreas do cérebro que processam a dor, amortecendo a parte do cérebro que nos diz que uma sugestão é normalmente impossível”, diz Patterson. “Nós podemos ver mudanças percentuais marcantes que não seriam antecipadas durante um estado normal, acordado.”

Patterson está também estudando como o hipnotismo pode ser aplicado via realidade virtual. Ele testou um programa que combinou imagens visuais com pistas para relaxamento e sugestões para conforto e alívio da dor em 21 pacientes hospitalizados recuperando-se de ferimentos (Revista Internacional de Hipnose Experimental, 2010). Participantes que usaram a tecnologia relataram menos severidade e o desprazer da dor do que aqueles em grupos controle. Usar tal programa poderia ajudar a endereçar esforços contra uma barreira significante para a plena difusão do uso da hipnose: a falta de clínicos adequadamente treinados para aplicá-la, especialmente para gerenciamento da dor, ele diz.

Momentos meditativos da Ioga

Pesquisas também sugerem que a ioga pode ser um tratamento efetivo para a dor. Uma revisão publicada em 2013 na Revista Clínica da Dor de 10 testes aleatórios com 967 pessoas ao todo, dirigida por Holger Cramer, PhD, da Universidade de Duisburg-Essen na Alemanha, descobriu fortes evidências de que a ioga é efetiva para alívio de curto-prazo de dor lombar – a forma mais comum de dor – e se constitui ajuda moderada para dor lombar de longo-prazo.

A ioga tem um número de componentes que podem ser de ajuda, incluindo movimento meditativo, focado, que pode ter efeitos positivos no cérebro, proporcionando mudança na percepção da dor, diz Catherine Bushnell, PhD, uma psicóloga experimental e investigadora sênior no NCCIH, que devotou cerca de 30 porcento de seu orçamento de pesquisa para estudar dor.

De acordo com um estudo publicado em Cerebral Cortex, 2014, dirigido por Chantel Villemure, PhD, um cientista do laboratório de Bushnell, iogues experientes tiveram maior tolerância da dor do que um grupo controle de não-iogues e também mostraram aumento do volume de conectividade da massa cinzenta e massa branca na ínsula, uma região conhecida por estar envolvida no processamento da dor.

De fato, como Bushnell escreveu na revista Pain (2015), ioga e meditação podem ter efeitos estruturais e funcionais no cérebro opostos à dor crônica, que algumas vezes está associada com perda acelerada de massa cinzenta e integridade comprometida de massa branca. Ioga também envolve exercício físico, o que é evidenciado por pesquisas que pode melhorar por si só sintomas de dor, ela diz.

Enquanto isso, J. Greg Serpa, PhD, um psicólogo e professor de Redução de Estresse Baseada em Mindfulness (Atenção Plena – MBSR) do Departamento de Assuntos dos Veteranos (VA) na Grande Los Angeles, ensina ioga em cadeira para veteranos imobilizados, que fazem pouco exercício durante a terapia mas ainda assim relatam grandes benefícios.

“É simplesmente trazer a autoconsciência do movimento para dentro do corpo, e aprender a estar em seu corpo mesmo com dor. É observar a experiência enquanto você se move e a reelaborar, observando como as sensações de dor aumentam e diminuem e tentar escapar ao pensamento: ‘Eu estou em dor todo o tempo e ela é intratável’ “, ele diz.

De acordo com uma pesquisa de Robin Toblin, PhD, e colegas no Instituto de Pesquisa Exército Walter Reed (JAMA Internal Medicine, 2014), cerca de 44 porcento de combatentes veteranos experimentam dor crônica e 15 porcento usam opióides regularmente, taxas muito mais altas do que em civis. O VA, juntamente com o NCCIH, colocou nova ênfase em estudar tratamentos complementares de dor para veteranos para achar terapias mais efetivas e menos custosas que promovam auto-gerenciamento. Estudos sugerem que veteranos também as recebem bem.

“Os ‘vets’ amam”, diz Serpa. “Eles frequentemente dizem, ‘Eu estou com muita dor mas estou cansado de tomar todas essas pílulas. O que mais há aí?’ “

Um mapa de evidências de revisões preparado para o VA mostrou que a ioga era uma opção de tratamento razoável para dor crônica nas costas, embora, dada a “natureza multidimensional” da dor, ela poderia não ser suficiente por si só; pacientes podem também se beneficiar em acrescentar terapia cognitivo comportamental à sua prática da ioga (Programa de Síntese Baseado em Evidências, 2014). A ioga demonstrou benefícios potenciais para sintomas de depressão assim como naquela revisão, o que é uma importante relação benéfica, já que a depressão frequentemente anda lado a lado com a dor crônica, com uma condição exacerbando a outra.

Drogas para a dor podem piorar as coisas. Em um estudo recente com 1,176 pessoas que tomam opióides, conduzido por Jenna Goesling, PhD, da Universidade de Michigan e colegas, mais usuários de opióides relataram sintomas de depressão comparado com aqueles que não tomavam opióides para a dor, uma associação que cresceu com o passar do tempo (Journal of Pain, 2015). Essa é outra razão pela qual a terapia é um ativo, um recurso, diz Beverly Thorn, PhD, presidente do departamento de psicologia da Universidade do Alabama.

“Eu argumentaria que essas pessoas não estão sendo tratadas apropriadamente para a depressão”, ela diz. “Eles estão se apresentando às clínicas de cuidados básicos e estão recebendo opióides. Um bônus com a terapia cognitivo comportamental [para dor] é que não há efeitos colaterais negativos e ela também trabalha a favor da saúde mental”.

Mindfulness e auto-gerenciamento

Pesquisadores estão também explorando intervenções de ‘mindfulness’ para gerenciamento da dor. A terapia mais frequentemente usada e estudada é a MBSR, um curso grupal de oito semanas que inclui educação em psicologia e fisiologia do estresse, ioga e meditação, e Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness, que tece a terapia cognitiva, incluindo ensinar as pessoas a examinar conexões entre cognição e comportamento, na MBSR. Um artigo de Melissa Day, PhD, da Universidade de Queensland na Austrália, e colegas no The Journal of Pain (2014) conclui que intervenções baseadas em ‘mindfulness’ têm efeitos similares em reduzir a intensidade da dor a outras intervenções psicossociais, tais como a terapia cognitivo-comportamental.

Assim como psicoterapia, muitos estudos sugerem que a meditação ‘mindfulness’ pode trazer mudanças cerebrais que ajudam a aliviar a dor com o passar do tempo. (Veja a edição de Março de Monitor, “Mindfulness holds promise for treating depression.”) Especialmente, tanto a terapia cognitivo-comportamental quanto o ‘mindfulness’ estão associados com o aumento da densidade de massa cinzenta e atividade neural na ‘rede neural em modo padrão’, sistema interconectado que está ativo durante estados de repouso em vigília. Adicionalmente, pesquisas sugerem que esses tratamentos aumentam o tamanho e a conectividade do córtex pré-frontal e do giro cingular anterior, regiões associadas com a atenção, memória de trabalho, resolução de problemas, e regulação emocional. Há também reduções em atividades neurais e massa cinzenta na amígdala – que é associada com a resposta de estresse luta-ou-fuga, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático – e o córtex pós-cingulado, que é associado com errância mental, diz Thorn.

Terapias baseadas em ‘mindfulness’ também enfatizam ajudar pessoas a reenquadrar respostas à dor ao invés de prometer uma cura”, ela diz, acrescentando, “Se trata de ensinar a alguém como observar seus pensamentos ou sentimentos sem fugir deles ou se auto-medicar.”

Esse senso de auto-mestria pode ser um bálsamo por si próprio. Por exemplo, Peter la Cour, PhD, um psicólogo do Centro Multidisciplinar da Dor de Copenhagen, testou MBSR em 43 pacientes com dor crônica. Comparado com um grupo controle, participantes que praticaram mindfulness tiveram melhoras significantes em vitalidade, bem-estar e sentimento de controle sobre a dor, assim como menos sintomas de ansiedade e depressão – ainda que a sua dor não tenha diminuído (Pain Medicine, 2015).

Com imageamento cerebral, neurocientistas têm sido capazes de ver como a experiência de dor envolve pensamentos e emoções, outra razão pela qual um tratamento mesma-medida-para-todos, biomedicamente focado, como os opióides ou a cirurgia, pode falhar. Um estudo usando fMRI e calor aplicado em 33 pessoas por Tor Wager, PhD, na Universidade de Colorado em Boulder, e colegas, descobriu que a dor despertou duas diferentes respostas cerebrais. Uma rede, a qual os pesquisadores chamam de assinatura neurológica da dor, refletiu sensações de dor física em um certo número de regiões cerebrais. Entretanto, quando questionados a pensar a respeito de sua dor de maneiras em que ela diminuísse ou aumentasse – que fossem efetivas – as pessoas usaram outro processo cerebral que envolveu o núcleo accumbens e o córtex pré-frontal ventromedial, áreas conectadas à avaliação e à emoção (PLOS ONE, 2015).

Milhões de americanos também usam acupuntura para dor crônica, de acordo com o NIH. Uma meta-análise de quase 18,000 pacientes feita por Andrew Vickers, DPhil, e colegas no Centro Memorial de Câncer Sloan-Kettering, descobriu que a acupuntura alivia dores nas costas, pescoço e ombros, assim como dores de cabeça crônicas e a dor associada com a osteoartrite (Archives of Internal Medicine, 2012). Entretanto, as diferenças em resultados entre acupuntura real e fraudulenta foram “relativamente modestas”,os autores relatam, sugerindo que uma resposta placebo ou certos contextos de tratamento estavam operando. A maneira pessoal em que nós percebemos a dor é uma razão pela qual o efeito placebo é um importante fator no tratamento, Bushnell diz, seja o tratamento complementar ou tradicional. “Mesmo que seja apenas um placebo muito forte, se alguns dos mecanismos estão baseados em um estado psicológico, não há nada de errado com isso.” (Veja “Grandes Expectativas” na edição de Maio de Monitor para mais sobre como o placebo funciona.)

Alfabetização em dor

Pesquisas sugerem que simplesmente entendendo como e por que nós sentimos dor física pode também ajudar a aliviar os sintomas. Um estudo de Jessica Van Oosterwijck, PhD, uma pesquisadora do pós-doutorado em ciência da reabilitação na Universidade de Ghent, descobriu que um curso intensivo de informação sobre fisiologia da dor levou à redução da dor e da preocupação e aumento das atividades de 15 pacientes com fibromialgia comparado com um grupo controle (The Clinical Journal of Pain, 2013).

Uma razão pode ser por que educação da dor pode reduzir a catastrofização, o que significa ter menos crenças negativas sobre a dor e suas consequências e prognósticos. Catrastofizar piora desfechos, de acordo com numerosos estudos que Judith Turner, PhD, professora de psiquiatria e ciência comportamental na Universidade de Washington, conduziu com colegas.

“Muitos pacientes focam em descobrir e consertar a fonte da dor, mas prover educação para que o paciente possa entender como a dor crônica envolve o cérebro e a medula espinhal, não apenas as partes do corpo que doem, pode mudar a experiência da dor”, diz Turner.

Entretanto, acesso a tal educação pode ser um desafio para alguns pacientes, particularmente aqueles vivendo em áreas rurais ou os com baixa instrução formal. Para endereçar o problema, Thorn e Joshua Eyer, PhD, da Universidade do Alabama, estão testando um programa de educação da dor adaptado para iletrados, direcionado a pessoas de baixa renda com dor crônica e comparando sua efetividade com terapia cognitivo-comportamental em grupo. (Veja o protocolo na Journal of Health Psychology, 2015). A abordagem de educação-apenas usa linguagem e ilustrações simples, sem introduzir conceitos terapêuticos, o que pode fazê-la mais acessível e menos intimidante, os autores dizem. Um estudo mostrou redução de sintomas da dor tanto quanto na terapia comportamental (Pain, 2011).

“[Muitos] pacientes não dispõem de muito tempo com seus provedores de cuidado. Eles são informados que têm uma condição de dor crônica, e então eles recebem a prescrição para um medicamento”, diz Thorn. “Mas para alguns, pode ser que apenas educação já seja terapêutico.”

Tal educação – assim como outras abordagens complementares para o tratamento da dor – requer um cuidado mais integrado do que o que está geralmente disponível no sistema de cuidados da saúde, dizem especialistas.

O campo vai avançar se mais psicólogos estiverem envolvidos. A pressão para mudança precisa vir dos formuladores de políticas e de pacientes individuais”, diz Jensen, acrescentando,”No fim, a mudança vai acontecer por que uma abordagem puramente biomédica custa dinheiro, e não funciona assim tão bem”.

Leituras adicionais
  • Andrews, N. (2015, Jan. 29). A non-pharmacological approach to pain: A conversation with Catherine Bushnell.Boston, MA: Pain Research Forum. Retrieved  from http://www.painresearchforum.org/forums/discussion/50044-non-pharmacological-approach-pain-conversation-m-catherine-bushnell
  • Gereau, R. W., IV, Sluka, K. A., Maixner, W., Savage, S. R., Price, T. J., Murinson, B. B., . . . Fillingim, R. B. (2014). A pain research agenda for the 21st century. The Journal of Pain, 15, 1203–1214.
  • Jensen, M. P. (Scholarly Lead). (2014). Chronic pain and psychology [Special issue]. American Psychologist, 69(2).
  • Jensen, M. P., Sherlin, L. H., Askew, R. L., Fregni, F., Witkop, G., Gianas, A., . . . Hakimian, S. (2013). Effects of non-pharmacological pain treatments on brain states. Clinical Neurophysiology: Official Journal of the International Federation of Clinical Neurophysiology, 124, 2016–2024.
  • Reuben, D., Alvanzo, A., Ashikaga, T., Bogat, G., Callahan, C., Ruffing, V., & Steffens, D. (2015). National Institutes of Health Pathways to Prevention workshop: The role of opioids in the treatment of chronic pain. Annals of Internal Medicine, 162, 295–300.
Artigos relacionados

Traduzido por Mytchel Costa

Para ler o artigo original publicado pela APA, acesse: http://www.apa.org/monitor/2015/11/cover-pain.aspx

Anúncios

4 Técnicas Da Psicologia Para Lidar Com O TAPE – Transtorno De Ansiedade Pré ENEM

Mytchel Costa

O maior inimigo no momento de realizar uma prova como o ENEM, um concurso público, uma seleção de emprego ou um vestibular, é sem dúvida a ansiedade (ok, não ter estudado nada é mais grave, mas isso fica para outro texto). Mãos suadas, pensamentos acelerados e disfuncionais, sensação de fracasso antecipado, tudo isso não ajuda em nada na hora de responder questões complexas e lidar com uma avaliação longa e cansativa.

Num momento mais avançado de seu trabalho, o grande psicanalista Sigmund Freud definiu a experiência de ansiedade como sendo o estado/reação psíquica que se obtém ao se precisar encarar uma situação traumática – um perigo vindo de fora de nós, ou uma tensão interna que exceda a capacidade do Eu de lidar com a questão, e que portanto deságua em sintoma, cujas expressões psicofisiológicas a maioria de nós experimenta com certa frequência, mas em muitos níveis diferentes.

Robert Leahy, PhD em psiquiatria e terapeuta cognitivo comportamental, no seu livro “Regulação Emocional em Psicoterapia: um guia para o terapeuta cognitivo-comportamental” dá um exemplo descritivo da experiência de ansiedade desta maneira:

“(…) reconhece-se que há uma preocupação, baseada em uma avaliação (ex. não conseguirá ou de que não dará certo), associado a isso, o ritmo cardíaco acelera (sensação), então o sujeito concentra-se na competência (intencionalidade), tem sentimentos em relação à vida (sentimento), e dessa forma, acaba tornando-se agitado (comportamento motor)(…)

Com certeza não há tempo para se deitar no divã depois que os portões se fecharam, mas felizmente a psicologia, em toda a sua diversidade, oferece algumas técnicas de regulação emocional que podem ajudar muito na hora de realizar tarefas que ofereçam tais desafios, mesmo que você já esteja sentado na sala de provas, e aqui estão 4 delas retiradas do livro Aprendendo a Terapia Cognitivo Comportamental, escrito por Jesse Wright, Monica Basco e Michael Thase:

  1. Treinamento de relaxamento: Aqui o objetivo é acabar com a tremedeira, a tensão muscular e a confusão mental, e estabelecer estados psíquicos e físicos mais calmos e controlados. Comece fazendo uma avaliação dos diferentes graus tensão muscular em todas as partes do corpo, dando notas de 0 a 10, onde 0 representa nenhuma tensão e 10 tensão máxima. A seguir, use sua mão como referência e perceba como você pode ter o controle da tensão muscular sobre ela de 0 a 10, progressivamente. Agora que você já se familiarizou com a sensação, pode sistematicamente focar em outras partes do corpo e tentar fazer o mesmo até chegar a graus mínimos de tensão. Se for preciso, faça massagens ou alongamentos onde há resistência.
  2. Parada de pensamentos: Existem pensamentos que só vêm para atrapalhar. E pensar em muitas coisas de uma vez certamente atrapalha. Excesso de atividade mental é obstáculo para a concentração e o proveitoso entendimento das questões. O primeiro passo é reconhecer tais pensamentos como disfuncionais; a seguir, mentalize ou susurre um comando a si mesmo no momento em que eles vierem à mente (um “PARE” enérgico costuma funcionar) para interrompê-los, juntamente com uma imagem mental que corrobore a ordem, como uma placa de trânsito ou uma mão espalmada à frente; por último, agora que você se livrou do pensamento indesejado, substitua o sinal de “pare” por uma imagem positiva, alegre, tranquilizadora, como uma memória de férias, ou um momento de felicidade do último fim de semana.
  3. Distração: Os pensamentos relacionados com a ansiedade têm um aspecto de fixação, como se fizessem a pessoa ansiosa tratar com obsessividade as ideias que vêm a mente. A técnica de distração é, portanto, complementar à anterior, pois como o nome sugere, se resume em mudar o foco do pensamento disfuncional através de outros estímulos, como olhar ao redor da sala e observar detalhes da arquitetura, ou achar um ponto de ancoragem que sirva mais de uma vez como ferramenta durante a prova, como uma árvore que se vê através da janela, ou uma rachadura no teto que lembre a cabeça de um professor de física.
  4. Retreinamento de respiração: Nós respiramos de forma automática. O problema disso é que quando nós estamos executando a respiração de forma incorreta, ela tende a permanecer incorreta. E uma respiração incorreta é alimentadora de processos fisiológicos negativos, como hiperventilação (respirar mais ar que o necessário) ou hipoventilação (respirar menos ar que o necessário), que podem gerar, por exemplo, tonturas, apertos no peito, sudorese, baixa oxigenação cerebral. Um bom cantor sabe que, para se contar com todo o potencial da respiração, é preciso utilizar o movimento do diafragma a favor da inspiração, enchendo primeiro toda a parte inferior dos pulmões ao inspirar – como se você tentasse inflar a barriga de ar sem mover os ombros – para só permitir o movimento do peito e dos ombros quando não for mais possível impedi-lo, a não ser forçadamente (é verdade que é preciso algumas repetições para pegar o jeito; não é à toa que respirar corretamente é a habilidade de canto mais importante). Agora que você sabe como respirar corretamente, pode aplicar o retreinamento de respiração, reconhecendo quando o seu ritmo respiratório for afetado pela ansiedade e exercendo controle consciente e progressivo do processo até que ele se torne um aliado.

A ansiedade pontual é comum, não tem nada de patológico, pelo contrário: em muitas situações, permite que nosso corpo e mente estejam aguçados para responder a exigências extraordinárias. Quando a ansiedade não estiver a seu serviço, pode ser enfrentada fazendo-se uso de técnicas como essas – dentre muitas outras que as teorias e práticas psicológicas oferecem. Entretanto, se você acha que a ansiedade é recorrente demais na sua vida, lhe paralisando e impedindo que você realize desejos e sonhos, e se isso se constitui como fonte de sofrimento pessoal, não hesite em procurar um profissional Psi qualificado para pedir ajuda. Boa sorte!