Por Que Algumas Pessoas Têm Déjà Vu Mais Frequentemente Que Outras?

Aqui está o que sabemos sobre quem tem mais probabilidade de experimentá-lo

Jordan Gaines Lewis
Brain Babble

13-10-2015

A maioria de nós conhece a sensação: Você está no meio do seu dia, cuidando dos seus negócios, dobrando roupas lavadas – nada fora do ordinário, quando repentinamente uma sensação de familiaridade inunda você, e você percebe claramente o que está acontecendo: estive aqui antes.

Só que não. Ou será que sim?

Você pode tentar lembrar e pontuar quando você experimentou esse momento antes. Mas tão rapidamente quanto a sensação lhe atinge, ela se vai.

Você previu o futuro? Você estava vendo algo de uma vida passada? O que é déjà vu, afinal de contas?

O fenômeno do déjà vu (Francês para “já visto”) é, cientificamente, muito pobremente compreendido, mas há algumas teorias:

  • Déjà vu pode ser o resultado de algum tipo de “desencontro” em como nós simultaneamente sentimos e percebemos o mundo ao nosso redor. Talvez nós sintamos o cheiro de alguma coisa familiar, por exemplo, e nossa mente é instantaneamente transportada para a primeira vez em que sentimos esse cheiro. (É uma teoria vaga, entretanto, e não explica por que a maioria dos episódios de déjà vu não refletem verdadeiros eventos passados.)
  • O déjà vu pode ser um breve mau-funcionamento entre os circuitos de longo e curto prazo do cérebro. A informação que o nosso cérebro recebe por regiões periféricas pode “tomar um atalho” direto para a memória de longo prazo, burlando os mecanismos típicos de transferência de armazenamento, então quando nós temos um momento de déjà vu, temos a sensação de como se estivéssemos experimentando algo de nosso passado distante.
  • Uma região do cérebro chamada de córtex rhinal, envolvida em detectar familiaridades, pode ser inexplicavelmente ativada sem que ative de fato circuitos de memória (hipocampais). Isso pode explicar por que episódios de déjà vu parecem tão não-específicos quando nós tentamos entender onde e quando nós experimentamos previamente um momento particular. De fato, alguns pacientes com epilepsia invariavelmente experimentam um déjà vu no início de uma convulsão. Para esses indivíduos, estimulação experimental do córtex rhinal – e não tanto o hipocampo propriamente – induz o déjà vu.

Estima-se que o déjà vu ocorra com 60-70% de nós, mais comumente entre aqueles entre 15 e 25 anos de idade. Por quê? Nós não temos a menor ideia. É interessante, entretanto, que eu havia escrito anteriormente sobre déjà vu alguns anos atrás por questões de curiosidade pessoal, tendo-o experimentado com bastante frequência. Agora tenho 26 anos, entretanto, e não consigo me lembrar da última vez em que tive um episódio.

Alguma dessas teorias é correta? Talvez nunca saibamos. Afinal, já que episódios de déjà vu são completamente inesperados – sem mencionar, para a maioria de nós, extremamente raros – pesquisa empírica real sobre o tópico é praticamente impossível.

Quais são as suas experiências com déjà vu?

Não se cansa de Brain Babble [Tagarelices Cerebrais, em tradução livre]? Siga a autora no Facebook, Twitter, ou confira o seu site.


Traduzido por Mytchel Costa

Para o texto original publicado na revista Psychology Today, clique aqui.

Anúncios