O Cidadão Biológico: Neuropolítica como Alvo e Perigo

A Neuropolítica está se tornando global. Para que fim? A que custo?

Christopher Lane

13-11-2015

Qualquer um que tenha assistido o thriller futurístico Minority Report (2002), baseado parcialmente em uma curta história homônima de Philip K. Dick, poderá se lembrar da cena em que Tom Cruise é filmado andando através de um reluzente shopping. Enquanto ele vagueia passando por anúncios interativos que usam reconhecimento facial, eles o chamam pelo nome e perguntam como ele está desfrutando de suas compras recentes.

Twentieth Century Fox Film
Fonte: Twentieth Century Fox Film

A publicidade é personalizada por algoritmos que lembram exatamente o que ele comprou – tecnologia não tão distante ou estranha a nós hoje, dado o uso disseminado no comércio virtual de cookies que rastreiam cada um de nossos movimentos online.

Mas como nós reagiríamos se a mesma tecnologia fosse usada por campanhas políticas querendo adequar silenciosamente suas mensagens às reações faciais dos eleitores aos seus anúncios, enquanto fazem microtargeting [micro-direcionamento, em tradução livre] em nós, eleitores em potencial? Isto pode soar como algo retirado de Admirável Mundo Novo de Huxley, 1984 de Orwell, ou Sob o Domínio do Mal [The Manchurian Candidate] (1982), o suspense ambientado na Guerra Fria sobre uma lavagem cerebral imaginada de uma proeminente família política. Mas como o New York Times veiculou mais cedo neste mês, “neuropolítica” [neuropolitics] – o termo adotado para denotar microtargeting comportamental furtivo em campanhas políticas – desempenhou um papel significativo em recentes eleições do México à Polônia e Turquia, e o neuromarketing comparável, de acordo com o jornal, está sendo introduzido vastamente em países como “Argentina, Brasil, Costa Rica, El Salvador, Rússia, Espanha e, em muito menor medida, nos Estados Unidos”.

Continue Lendo…

Anúncios

8 Horas De Música Para Dormir – Perigos Da Privação Do Sono

O projeto mais recente do renomado compositor Max Richter, nascido na Alemanha e naturalizado na Grã-Bretanha, tem sido chamado de “o novo álbum de 8 horas para dormir”, conta com um repertório de músicas instrumentais e recebe o nome Sleep, feito para ser, nas palavras do artista à revista TIME, “uma canção de ninar pessoal para um mundo frenético. Um manifesto por um ritmo de existência mais lento”.

Richter compôs trilhas sonoras para séries como The Leftovers (HBO) e filmes como Shutter Island (Ilha do Medo, no Brasil, estrelado por Leo DiCaprio). Para Sleep, ele recorreu a consultorias com David Eagleman, neurocientista e escritor, diretor do Laboratório para Percepção e Ação além da Iniciativa em Neurociência e Lei, cujos trabalhos mais notórios figuram nas áreas de plasticidade cerebral, percepção temporal, sinestesia e em uma área inaugural no campo das neurociências chamada Neurolaw (Neurolei, em tradução livre), que estuda de forma interdisciplinar os efeitos de descobertas das neurociências nos campos das normas jurídicas com recursos da psicologia social, filosofia, neurociência cognitiva e criminologia.

O intuito de Richter não foi produzir um recurso que, submetido a procedimentos científicos, superasse testes e exigências metodológicas para provar-se eficiente. Ele encara o projeto artístico como um “grande botão de pausa” na vida cotidiana. As apresentações ao vivo do novo trabalho tiveram início no outono de 2015 (hemisfério norte) em Berlim, começando à meia-noite e terminando às 8 horas da manhã, com o suporte de uma orquestra cercada por camas.

Perigos da Privação do Sono

O sono humano pode ser dividido em suas fases: a fase REM (Movimento Rápido dos Olhos, do inglês Rapid Eye Movement) e sono não-REM, e esta última dividide-se em 4 estágios, cada qual com suas características peculiares. A evolução do sono acontece em ciclos de aproximadamente 90 minutos que incluem episódios de sono REM e não-REM.

Segundo Machado et al. (2007), o início do período de sono é associado ao aumento do nível de circulação de certas citocinas, substâncias relacionadas com a resposta imunológica do organismo, o que contribui para a explicação do por quê algumas inflamações e doenças imunológicas, como artrite e asma, exacerbam-se à noite. Além disso, hormônios implicados na resposta ao estresse relacionam-se profundamente com o ciclo circadiano (ciclo sono-vigília), e os níveis de substâncias como o cortisol e adrenalina normalmente permanecem em taxas mínimas nos momentos que antecedem o sono, através da regulação promovida pelo eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal), enquanto elevam-se aos níveis máximos nos momentos finais do sono, preparando o organismo para atividades ao acordar.

Nos humanos, tais hormônios estão associados não só ao sono. Funções como vigilância, atenção e excitação são também reguladas por eles e segundo Guyre, Holbrook & Munck (1984), “a função fisiológica do aumento dos níveis de glicocorticóides [como o cortisol] induzido pelo estresse é a de proteger não contra a fonte do estresse propriamente, mas contra as reações normais de defesa que são ativadas pelo estresse. Os glicocorticóides realizam essa função desativando essas reações de defesa, evitando que elas sejam exageradas e ameacem elas próprias a homeostase“. Sabe-se portanto que a perturbação do ciclo circadiano e, portanto, dos níveis hormonais que relacionam-se com os ciclos do sono normais, promove a desregulação do eixo HPA, associada com um desequilíbrio do próprio sistema imunológico. O corpo não contará com os níveis hormonais adequados para os diferentes tipos de demandas dirigidas ao sistema de resposta ao estresse, como um perigo externo ou, por exemplo, um ferimento na pele.

“Uma resposta ao estresse adequada, com apropriados níveis de cortisol e adrenalina, resulta em vasoconstrição para evitar hemorragia, tráfego intensificado de leucócitos para combater algum possível antígeno e produção aumentada de fibrinogênio para auxiliar a fechar a ferida.” (Machado et al., 2007)

As consequências disso são preocupantes. Estudos mostram que mulheres que trabalham à noite, por exemplo, estão expostas a riscos maiores de desenvolver câncer de mama do que as que trabalham de dia (Hansen, 2001). A imunização contra hepatite A (Born et al., 2003) e a produção de anticorpos contra a influenza (Sheridan, Spiegel & Van Cauter, 2002) são também afetadas negativamente pela privação parcial do sono. Mesmo uma única noite de privação de sono resulta em alterações no funcionamento cerebral (Basile et al., 2006).

O artigo da Newser publicado em agosto (10) diz que um relatório obtido pelo The Associated Press (AP) revelou resultados de um estudo mantido em sigilo por 4 anos pela FAA (Federal Aviation Administration), a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, realizado em dezembro de 2011 com controladores de tráfego aéreo, profissionais responsáveis pela separação e segurança de voos que acontecem num território. O estudo demonstrou que cerca de 20% dos controladores dos Estados Unidos cometeram erros sérios no trabalho no ano que antecedeu o estudo, como permitir a proximidade de aviões além dos limites de segurança, tendo a metade deles culpado a fadiga pelo evento; 33% dos profissionais consideram a fadiga um risco “alto” ou “extremo”; mais de 60% relataram ter cochilado dirigindo no caminho de/para o trabalho, aqueles que tipicamente trabalham em turnos noturnos (que compreende o horário de 22h-6h); enquanto a média de sono desses profissionais costuma ficar em 5.8h de sono por noite, tal número cai para 3.25h antes de alguns dos turnos mais esgotantes.

“A fadiga crônica pode ser considerada um risco significativo para os níveis de alerta do controlador, e portanto para o sistema ATC (sistema de Controle de Tráfego Aéreo)”, diz o estudo.

Se você tem problemas com o sono que vão além da sua capacidade de gerenciamento como insônia, apneia, terrores noturnos, sonambulismo, procure um médico ou profissional Psi qualificado.

Você pode comprar e baixar a versão de 8 horas de Sleep aqui ou ouvir a versão condensada de 1 hora gratuitamente e on-line aqui.


REFERÊNCIAS

Basile, Luis Fernando; Cagy, Maurício; Deslandes, Andréa; Ferreira, Camila; Moraes, Helena; Piedade, Roberto; Pompeu, Fernando & Ribeiro, Pedro. (2006). Electroencephalographic changes after one nigth of sleep deprivation. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, 64(2b), 388-393. Retrieved November 12, 2015, from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2006000300007&lng=en&tlng=en.

Born, J.; Fehm, H. L.; Lange, T. & Perras B (2003). Sleep enhances the human antibody response to hepatitis A vaccination. Psychosom Med. 65:831-5.

Guyre, P. M.; Holbrook, N. J. & Munck A (1984). Physiological functions of glucocorticoids in stress and their relation to pharmacological actions. Endocr Rev. 5(1):25-44.

Hansen, J. Increased breast cancer risk among women who work predominantly at night. Epidemiology. 2001;12(1):74-7.

Machado, Ricardo Borges; Palma, Beatriz Duarte; Suchecki, Deborah; Tiba, Paula Ayako & Tufik, Sergio (2007). Repercussões imunológicas dos distúrbios do sono: o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal como fator modulador. Revista Brasileira de Psiquiatria, 29(Suppl. 1), s33-s38. Retrieved November 12, 2015, from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462007000500007&lng=en&tlng=pt.

Sheridan, J. F.; Spiegel, K. & Van Cauter, E (2002). Effect of sleep deprivation on response to immunization. JAMA. 288(12):1471-2.

Spray Nasal De Ocitocina Promissor Com Crianças Autistas

Megan Brooks

04-11-2015

A inalação do hormônio sintético ocitocina (de diferentes marcas) levou a melhoras significativas na interação social de jovens crianças com transtornos do espectro autista (TEA) em um estudo aleatório, duplo cego cruzado conduzido na Austrália.

“Nós usamos alguns dos processos de avaliação de responsividade social mais utilizados”, Adam Guastella, PhD, da Clínica de Autismo para Pesquisa Translacional, Brains and Mind Centre (Centro Mente e Cérebro), da Universidade de Sydney, disse em uma declaração.

“Nós descobrimos que seguindo o tratamento com ocitocina, os pais relataram que seus filhos apresentaram mais responsividade social em casa, e as nossas próprias taxas clínicas independentes, cegas, também demonstraram responsividade social melhorada em salas de terapia no Brain and Mind Centre”, acrescentou o Dr. Guastella.

O estudo foi publicado online em 27 de Outubro em Molecular Psychiatry.

Efeitos Significativos

Os participantes incluíam 31 crianças (27 meninos) entre 3 e 8 anos de idade que enquadravam-se nos critérios para o transtorno autista, transtorno de Asperger, ou transtorno invasivo do desenvolvimento – não especificados de outra forma – como descritos pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th Edition, Text Revision (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 4ª Edição, Revisão Textual).

De maneira cruzada cega, eles receberam 12 Unidades Internacionais (IU) de ocitocina e spray nasal placebo de manhã e de noite (24 IU por dia) por 5 semanas, com um período de eliminação (washout) de 4 semanas entre cada tratamento.

Comparado com o placebo, a ocitocina levou a melhoras significativas no resultado primário principal das taxas de responsividade social dadas pelo cuidador (P<.01). Entretanto, a ocitocina não teve efeito principal significativo no segundo resultado primário em relatórios da severidade de comportamentos repetitivos preenchidos pelos cuidadores.

“Efeitos principais significativos” foram achados para as medições secundárias das taxas de dificuldades comportamentais e emocionais dadas pelos cuidadores (P<.001). As taxas de impressões clínicas de melhora global dadas pelo experimentador foram significaivamente maiores para a ocitocina comparada com o placebo (72% vs 41%, P<.05).

No geral, o spray nasal foi bem tolerado, segundo disseram os investigadores. Os eventos adversos mais comuns foram aumento da sede assim como da micção e da constipação diurna e noturna, que foram relatadas para dobro de crianças que receberam ocitocina (10 relatos) em relação às que receberam o placebo (cinco relatos).

“Esses achados requerem confirmação em estudos maiores”, apontaram os pesquisadores. Estudos também precisam determinar como a ocitocina pode ter melhorado o comportamento social e documentar como tratamentos relacionados podem ser usados para potencializar intervenções de aprendizagem sociais estabelecidas. Apontando que eles não podem descartar um efeito placebo, os pesquisadores acreditam que estudos futuros precisam considerar métodos de controle para efeitos placebo para melhorar a detecção de respostas terapêuticas.

Confirmação Promissora

Angela Sirigu, PhD, do Institudo de Ciência Cognitiva, Centre de Neuroscience Cognitive, Lyon, França, disse ao Medscape Medical News que esses resultados são “encorajadores e importantes por que o teste foi em crianças, e ele mostrou que a ocitocina tem um efeito cumulativo benéfico. Eles não são novidade já que nós já havíamos mostrado (em nosso estudo de 2010 no PNAS) que a ocitocina alivia as dificuldades sociais de pacientes autistas (adultos). Portanto, eu estou feliz de ver esses achados confirmando os nossos.

“A única crítica que eu tenho é que eles usaram apenas escalas subjetivas para documentar as melhorias. Eles não têm testes laboratoriais rigorosos, como tarefas conhecidas por serem sensitivas a efeitos da ocitocina. Por outro lado, eu acho que é uma adição importante para a literatura de ocitocina e autismo”, disse a Dr. Sirigu.

Evdokia Anagnostou, médico, cientista clínico, da Universidade de Toronto, Canadá, que não esteve envolvido no estudo, concorda.

“Este é um teste controlado aleatório muito promissor em crianças com TSA. Dada a escassez de qualquer medicação tratando os déficits sociais nucleares do TSA, esses dados são encorajadores, mas estudos maiores serão necessários”, Dr. Anagostou declarou ao Medscape Medical News.

O estudo não contou com financiamento comercial. Os autores não revelaram nenhum relacionamento financeiro relevante.

Mol Psychiatry. Publicado online em 27 de Outubro de 2015. Resumo


Traduzido por Mytchel Costa

Para ler o artigo original publicado pelo Medscape News, acesse: http://www.medscape.com/viewarticle/853885

Resenha: A Criança Autista Em Trabalho (Jeanne Marie de Leers Ribeiro)

“O estilo da autora entrelaça teoria e experiência, sem que o peso dos conceitos sufoque a segunda, que, ao contrário, permanece à flor do texto. A escrita, em sua simplicidade e precisão, nos traz a criança autista ao vivo.

Os casos de autismo e psicose na infância aqui apresentados são preciosos por pelo menos três razões. Eles nos proporcionam uma referência a ser compartilhada, uma vez que não contamos com uma psicanálise desses quadros na obra de Freud. Em sua reflexão, a autora se dispõe a explorar o ensino de Lacan que nos confronta com alguns comentários pontuais sobre o autismo, vários enigmas e um vasto corpo conceitual a ser desbravado. Sobretudo, graças aos relatos da prática com essas crianças, Jeanne Marie Costa Ribeiro restitui o real dessa clínica, testemunhando que o desejo do analista pode fazer face a ele.”

Angélica Bastos


Mytchel Costa

Este artigo apresenta uma resenha da obra de Jeanne Marie de Leers Ribeiro ‘A Criança Autista Em Trabalho‘ e segue o ordenamento da 2ª edição (Editora 7 Letras), conforme o texto original apresenta, em títulos que dividem os 3 capítulos da obra, precedidos por uma introdução e sucedidos por considerações finais.


Introdução

A perspectiva psicanalítica apresentada na obra de Jeanne Marie de Leers Costa (2013), obra que é resultado do seu trabalho de mestrado, aborda a possibilidade clínica de atuação com crianças ditas autistas, em recusa ao entendimento médico de certo tempo de que não há sujeito no autismo que trabalhe subjetivamente. Em um primeiro momento, após uma revisão do trabalho de Kanner (1943) sobre a classificação nosográfica do transtorno autístico, Jeanne Marie convida-nos a problematizar um tanto menos a causalidade do autismo e mais os efeitos produzidos no trabalho de constituição que desempenha o sujeito dito autista, a sua inserção na ordem simbólica da linguagem, as manifestações na ordem Real de seu sintoma e as geografias de sua relação com o Outro e os outros dos encontros cotidianos. Para a autora, as singularidades dos sujeitos autistas retratados na sua experiência são de determinante maior valor do que os traços qualificadores do transtorno psiquiátrico. A proposta fundamental de Jeanne Marie é que há uma relação dialética entre a constituição subjetiva da criança dita autista (objetivada na sintomatologia) e o seu estatuto diante do Outro da linguagem, o que viabiliza o estabelecimento de uma relação com efeitos analíticos entre um praticante da psicanálise e um paciente.


A criança autista em trabalho

O trabalho psíquico enquanto trabalho do significante é impulsionado pela necessidade de evitar o desprazer causado pela tensão criada a partir da interação com o Outro da linguagem, essa alteridade que em todo momento, incessantemente, demanda algo do sujeito. No trabalho de si, de constituição de si mesmo, o sujeito tem-se imerso no mundo da linguagem e por ele é convocado constantemente, ocasionando com que haja sempre uma vacância no lugar a ser ocupado pelo sujeito, sem que nunca ele possa ocupá-lo em definitivo. A simbolização primordial, paradigmática na brincadeira descrita por Freud do fort da (o exercício de satisfação da criança ao enviar um objeto para longe e perceber que pode trazê-lo para perto novamente, e que Freud compara a um aprender a lidar com o movimento de ausência-presença da mãe), acontece no trabalho psíquico, se confunde com ele, mas pode eventualmente não se concretizar. Fazendo uso de recursos da obra de Lacan, a autora apresenta a noção de como um S1 (um significante primordial) pode não encontrar a oposição simbólica de um S2, um significante secundário que possibilite a formação de um encadeamento subjetivo que venha significar o próprio sujeito em sua relação com o Outro. A não inscrição significante é uma sentença (ainda que não definitiva, mas certamente constitutiva, estrutural) de tensão constante, de demanda ininterrupta do mundo dirigida ao sujeito autista, mas que não pode ser suportada sem o preço de si próprio, sem que se precise arcar às próprias custas com o gozo de um Outro maciço e avassalador.


O Outro Primordial no “Projeto para uma Psicologia Científica”

A autora descreve a primeira experiência de satisfação como posta por Freud: um desequilíbrio endógeno impulsiona a criança ao choro ou grito, interpretado pelo outro (que assume lugar do Outro para ela) como apelo e, somente pela intervenção desse Outro, o desequilíbrio pode ser desfeito no indivíduo. A partir disso é possível aferir a importância do Outro enquanto campo preexistente ao sujeito, que lhe é essencial na sua constituição psíquica: o lugar de onde o sujeito se constrói, através de “palavras”, a oferta significante que o Outro, desde sempre, propõe/demanda ao/do falante. Há de se destacar também o lugar que ocupa o infans no desejo do Outro primordial, esse que está lá na fundação mesma do sujeito. As marcas deixadas-traçadas pela experiência primeira de satisfação (o momento mítico, irrecuperável em si, da primeiríssima satisfação pulsional de um falante) são trilhas a serem perseguidas continuamente pelo sujeito a cada movimento hipotético na existência, sem que, no entanto, este com elas coincida em plenitude, sempre permanecendo um faltando-algo, sempre ausente ‘a coisa’ que parecia estar lá no início, e que permanece lá enquanto causa do desejo no esquema simbólico da constituição subjetiva, sem que nunca se faça presente de fato. É a própria definição do Desejo enquanto falta. Isto possibilita ao sujeito potência para mover-se constantemente ‘em busca de’: este saber inscrito em sua constituição psíquica de que há falta. A falta e a frustração são as marcas da busca do sujeito pelo objeto. Nos sujeitos autistas, por outro lado, a falta/perda simbólica do objeto não se constitui, visto que a própria simbolização primordial não acontece por algum motivo. O Outro, portanto, é alteridade avassaladora, que não se apresenta com falta alguma.


Do desejo da mãe à metáfora paterna

É preciso entender como a criança assume o lugar tão singular de objeto fálico para a mãe. Jeanne Marie comenta como o percurso edípico da menina é diferente do percurso do menino: enquanto para o menino a identificação com o pai ocorre na constatação da não universalidade do falo e, portanto, no seu medo de perdê-lo, de ser castrado, para a menina a identificação com o pai ocorre pela constatação da falta do falo na mãe, recorrendo assim ao pai que poderia ser quem lhe daria o falo. Simbolicamente, ocorre um deslize do falo que se queria do pai, mas que não se obteve, para o filho que se terá com outro homem, e que assume o lugar singular de objeto de investimento libidinal, particularizado, da mãe. A criança se relaciona com a mãe e sua falta. A metáfora paterna inscreve-se no édipo através do que Lacan chama de Nome do Pai (NP), sendo esse o processo simbólico que interdita o desejo caprichoso da mãe simbólica (o Outro primordial para a criança), que pode estar presente ou ausente, mas cuja ausência não acha explicação, significação, do ponto de vista do sujeito que não experimenta a inscrição do Nome do Pai, inscrição de uma Lei que barra o Outro materno. Tal Lei se aplica ao desejo da mãe, também à criança, na medida em que barra o desejo da mãe e interdita a criança ao gozo do Outro. O Nome do Pai, como significante (S2) que substitui o significante do desejo materno (S1) e ancora a cadeia de significantes do sujeito, permite-lhe organizar-se psiquicamente sem estar submetido ao gozo do Outro, ao desejo insaciável da mãe simbólica. Quando a inscrição do Nome do Pai não ocorre, quando há foraclusão do Nome do Pai, dá-se então a psicose enquanto estrutura psíquica. Os significantes que deveriam restringir-se ao simbólico retornam no real (na forma de alucinações e delírios, fenomenicamente) pela falta do ordenamento significante. Na neurose, o que é rejeitado pelo sujeito (o sujeito que passou pelo Édipo) retorna na forma das formações do inconsciente, ficando restrito ao registro simbólico, enquanto que na psicose manifesta-se no Real, fazendo do sujeito objeto de gozo do Outro. As formações delirantes do psicótico não são manifestações patológicas, portanto. Antes são tentativas de emenda da relação de submissão ao Outro, tentativas de reconstrução de um mundo onde a existência seja possível e tolerável. a autora defende que, se é viável ao sujeito psicótico encontrar formas de elaborar emendas na relação com o Outro, é possível a um analista inserir-se nesse trabalho na tentativa de se construírem novas formas de posicionamento na realidade do sujeito. Quando, em Lacan, o Nome do Pai extrapola-se do Édipo para ser tomado como NomeS do Pai, operações simbólicas que se dão através de outros significantes além do edipiano, ferramentas subjetivas que se encontrem pela vida e que venham domesticar o gozo do Outro e amarrar os registros do Real, Simbólico e Imaginário, abre-se também uma porta para o trabalho analítico com a psicose. No autismo, entretanto, não há a fantasia neurótica, tampouco a solução delirante psicótica. Mas há um trabalho que é sim desenvolvido pelo sujeito e que permite ao analista incluir-se como partícipe e colaborador, na tentativa de construir com o sujeito autista uma forma de viver, de existir num mundo que seja tolerável.


A criança e o Outro

A defasagem entre a criança esperada pela mãe e a criança real que se apresenta é força motriz para uma ‘invenção’. A criança real apresenta-se em incompletude simbólica quando ocupa no desejo da mãe o lugar do falo e, portanto, o Outro materno dá as suas significações inventadas às demandas do infans, faz-lhe de conta completo, antecipando ali um sujeito. Observa-se então uma relação tensional: o ‘outro materno’ dá suas significações, mas há que levar em conta a particularidade da criança, atribuir sentidos mas com endereçamento singular; por outro lado, a criança não é completa, mas pode ocasionalmente ser tomada como tal, saturando então o desejo da mãe, dessa forma, o que está em jogo é a necessidade de sustentação subjetiva da ‘função de mãe’ pelo outro materno. O texto permite concluir que, embora não haja razão na psicanálise em se psicologizar ou antecipar comportamentos dos pais que sejam ‘causadores’ de uma solução subjetiva psicótica/autista, é possível analisar a relação daqueles com estes para que se revele algo do seu estatuto simbólico. É possível observar nos relatos clínicos da autora que, de modo recorrente nos casos de crianças autistas, o outro materno demonstra dificuldades em atribuir interpretações ao “grito” da criança. Na clínica com os autistas, portanto, o posicionamento do analista se trata de uma aposta de que ali há um sujeito que, embrenhado nas relações complexas e enigmáticas com o Outro, faz um trabalho de emergência subjetiva. Fragmentos clínicos demonstram que, em certas situações, mães tinham dificuldades em reconhecer ali um alguém, um sujeito de quem se fala, quando perguntadas sobre os filhos autistas. Eram como que ocos, vazios, distantes demais para serem reconhecidos. Em outros casos, ao contrário, não havia espaço para qualquer invenção: o saber do Outro sobre a criança (tomado o ponto de vista desta) era total, completo. Quando o desejo da mãe é mediado pelo Nome do Pai a criança é convocada a emergir subjetivamente com a pergunta: o que o Outro quer de mim? A inscrição simbólica do nome do Pai permite a significação do Desejo do Outro. Quando se fala em estrutura neurótica, a criança, com seu sintoma, ocupa o lugar de resposta ao que há de sintomático na estrutura familiar simbólica, ocupa lugar de sintoma do casal familiar. No caso das psicoses entretanto, a não inscrição do Nome do Pai faz a criança ser tomada como objeto e, na posição de objeto submetido a um desejo não barrado por Lei, não há distância entre o Ideal do desejo do Outro materno e a criança mesma que ocupa lugar no desejo da mãe. Se não há distância subjetiva entre esses dois elementos, não há também endereçamento, afinal não faz sentido enviar cartas para o lugar mesmo em que se está. A criança está então submetida ao gozo do Outro. A autora destaca também as semelhanças do autismo com as psicoses, especialmente a esquizofrenia, sendo o sintoma do autista associado à não subjetivação do que vem do campo do Outro, o que faz retornar no real do próprio corpo e do discurso o que deveria permanecer restrito ao simbólico, como se vê objetivado nos comportamentos esteriotipados, na ecolalia, no mutismo, na evitação do olhar, assim como se observa nas alucinações esquizofrênicas e nos delírios. O autismo, por aproximação à psicose, caracteriza-se pela inscrição de um desejo anônimo por parte do Outro materno.


Fragmentos de casos clínicos

Pedro é uma criança psicótica. O diagnóstico provável é de paranoia. Nas sessões, o Outro aparece para Pedro como um Outro que lhe quer possuir, fazer dele “mulherzinha”, segundo suas palavras. Jeanne Marie destaca que, para a ocorrência da psicose, é preciso o trabalho de duas gerações: a criança psicótica é o resultado desse trabalho na terceira geração. O pai de Pedro, João, relata que seu pai era um “animal” que tratava os filhos como animais. Tinha duas mulheres e duas famílias, bebia, batia em todos. Era um Outro sem falta, gozador, que não lhe demonstrava nenhum carinho, não lhe transparecia falta alguma. Quando o pai de João, tendo ficado viúvo da segunda mulher, volta para casa dele e é recebido acompanhado pelos filhos do segundo casamento pela sua mãe, João, primogênito, decide que não há lugar para os dois na mesma casa. Diz então em seu relato que se “fez sozinho”, numa luta empreendida com os próprios esforços e meios, mas desmente-se em seguida dizendo que vendeu um pedaço de terra que era do pai ao pior inimigo deste de modo a obter recursos para ir ao Rio de Janeiro como boia-fria. Essa é a solução edípica de João. Nas consultas com Pedro este relata, certa vez, que gostaria de fazer a sessão junto com seu pai, após a analista observar que havia marcas de cinto nas suas pernas. Constatou-se então que as cenas onde João via o pai tratando a família como objeto de seu gozo eram repetidas com Pedro. Para a analista, o primeiro passo no trabalho com Pedro era lidar com a intensa transferência erotomaníaca que se havia estabelecido com ela. Ela relata uma intervenção onde, ao demonstrar a Pedro que está submetida a uma Lei que lhe barra, objetivada na lei da instituição a qual os dois frequentam, foi possível apaziguar as manifestações desesperadas de frustração de Pedro em não ser atendido em todos os seus desejos. O não que ela diz ao desejo dele, portanto, não é capricho dela, mas vem de uma Lei a que ela também se submete. Outro episódio relatado é o de uma brincadeira onde Pedro decide querer um documento de identidade para si. Ao redigirem ludicamente o seu nome no documento, ele se recusa a incluir o sobrenome do pai. O Nome do Pai estava foracluído. Ela ressalta que no caso da paranoia, o que estaria em jogo seria a forma como o pai se relaciona com a lei, enquanto na psicose/autismo o que está em questão é a maneira como a mãe deixa de estabelecer uma relação de submissão à Lei que vem do Nome do Pai.

O caso de João (uma criança dita autista de três anos), por sua vez, é relatado como segue: uma criança com olhar vazio, que realiza movimentos estereotipados com as mãos e boca, vaga pelas salas e corredores do NAICAP (Núcleo de Atenção Intensiva à Criança Psicótica – RJ) grudando seu corpo nos corpos das pessoas, sem esboçar qualquer reação diante da recusa ou da aceitação de sua proximidade pelo outro. Na escuta clínica com sua mãe constata-se a recorrência da palavra “nada”. A mãe não ‘sentiu nada’ na gravidez ou no parto, João não sente nada de fome, não come nada, não pede nada, não chora por nada. Além disso, ela diz também que sonhava desde criança que teria um filho aos 25 anos, e exatamente assim foi: João nasceu para ser “seu nenenzinho”, aquele do sonho do qual nunca despertou, sonho que não poderia servir de gancho portanto, de antecipação subjetiva, para o João mesmo que nasceu. Seu mutismo, sua errância, não eram reconhecidos pela mãe. Para ela não havia ‘nada’ de anormal com ele. O pai relatou que na infância também havia sido um menino tímido que demorou a falar, que por isso não achava tanta estranheza no silêncio do filho. João está, portanto, no lugar mesmo do objeto de desejo da mãe; não há, para ela, defasagem entre a criança sonhada e a criança recebida. No trabalho com João, percebe-se que toda intervenção da analista é recebida como intrusiva. O ambiente da sala de atendimentos é substituído então pelos corredores do NAICAP e a consulta se dá nas andanças de João. No seu percurso, ele começa a reparar nos buracos das paredes e dos brinquedos. Nas brincadeiras com a analista, o que chama sua atenção é a presença de buracos nas roupas, no corpo, e uma falta que se pode achar no outro. Em certo momento a mãe de João confidencia à analista dele que está angustiada por que o marido tem uma amante, o que é simultâneo à primeira vez em que João a chama de mãe. Na angústia da mãe, na falta da mãe, quando seu olhar não está mais totalmente voltado para João, no momento em que ele parece ter o vislumbre disso, ele a reconhece como mãe.


Uma possível direção de tratamento

Na ética psicanalítica estabelecer uma direção de trabalho é fazer uma aposta de que, mesmo nas manifestações estranhas e peculiares da psicose e do autismo, há ali um sujeito que trabalha para se fazer a si mesmo. Se o trabalho do autista no seu sintoma é o de tentar marcar o Outro, e se o faz para impedir-se de permanecer entregue ao Outro gozoso, como dirigir uma fala ao autista que lhe seja terapêutica sem ser para ele mais uma manifestação do Outro que lhe assola, que tem um saber-todo sobre ele? A primeira solução proposta pela autora é que o analista insira-se no trabalho que a criança autista já realiza, fazendo-se um outro não caprichoso, que se permita ser regulado por ela, que represente alteridade em relação ao Outro avassalador ao qual o autista apresenta estar regularmente referido. Em segundo lugar, é preciso oferecer uma ‘presença ausente’, colocando à disposição da criança um oferta sem demanda, sem olhar diretivo, sem palavra endereçada, estratégias a serem desenvolvidas levando-se sempre as singularidades de cada caso.


O tratamento do Outro

O “tratamento do Outro” não diz respeito a intervenções com a família ou com os que cercam o sujeito psicótico. Antes, perpassa o entendimento de que não faz sentido, dentro da perspectiva da psicanálise, verbalizar significados, interpretações à fala do psicótico/autista, visto que assim só se estaria reproduzindo o Outro que dele goza, que tudo sabe. Não por que não haja sentidos na fala do sujeito, mas por que a interpretação que vem Outro é demais para ele. É necessário fazer-se um Outro barrado. A terapêutica é, sobretudo, desenvolvida no estabelecimento de uma possibilidade nova de posicionamento do sujeito frente ao Outro (encarnado no analista). As ações estereotipadas de Francisco revelam-se no relato como um S1 tentando encontrar a inscrição de um S2, tentativa que nunca cessa. Quando a analista, apostando na existência de um trabalho subjetivo em vez de considerar a ação dele uma consequência vazia de sua patologia, deixa de dirigir demandas através da fala direta e passa a se inscrever nos “batuques” que ele desenvolve nos objetos da sala de atendimentos, respeitando também suas pausas e seu ritmo, ele deixa de rejeitá-la como antes e sorri para ela, apresentando desde então um desenvolvimento relacional positivo e contínuo no NAICAP e em sua escola. O lugar do analista na clínica com autistas é de “notário”, um recebedor das mensagens que não é detentor de um saber interpretativo, mas que recebe as mensagens do sujeito como endereçadas a ele, e que se faz representante de um S2 para a sua apresentação incessante de um S1.


A “prática entre vários”

A partir da aposta psicanalítica de que o sujeito autista realiza um trabalho de constituição de si, é proposta a oposição, no tratamento institucional do autismo e da psicose, a um paradigma regido pelo “buscar saber”, “deter saber” sobre os casos. Faz-se isso operando o exercício de um “saber não saber”. É permitindo um vazio estrutural simbólico na instituição, no que diz respeito às práticas terapêuticas, que ali será possível ver emergir o trabalho dos sujeitos autistas, instrumentalizando os espaços para que se os vejam realizar das formas mais apropriadas para cada percurso. Um pode precisar de um companheiro para batuques, outro pode precisar investigar os furos nas paredes. A partir da proposta de Jacques-Alain Miller, tem-se que a ‘prática entre vários’ pode ser consolidada, nessa busca pelo não saber, em reuniões gerais da equipe em questão, na exposição das situações singulares dos trabalhos exercidos pelas crianças e no compartilhamento de um não-saber a priori todas as respostas. Embora seja um arranjo típico de trabalhos institucionais, tal perspectiva é também proposição ética para ser estendida a qualquer prática clínica que enxergue o sujeito em questão como autônomo em potencial, como dotado de singularidade.


Algumas palavras sobre o trabalho com os pais

Não se trata, afinal, de realizar a análise dos pais, mas de se realizar uma escuta analítica da fala destes. Para Jeanne Marie o que se propõe é que, através dos significantes que da fala dos pais se colhe, é possível entender onde a criança posiciona-se frente ao Outro, e nisso, o que escapa e sobra ao gozo. Como a demanda em questão não é a dos pais para si, mas para a criança, deve-se desenvolver uma escuta para direção do tratamento da criança e o estabelecimento de formas de inclusão dos pais no trabalho que a criança autista já desempenha. A escuta a partir de uma perspectiva analítica aos pais é um trabalho terapêutico no sentido de implicá-los (não de responsabilizá-los, mas fazê-los conscientes de que podem ter participação no desenvolvimento do trabalho da criança) no sintoma e na realidade subjetiva da criança. Trata-se, por fim, de realizar um trabalho de descolamento, de destituição desse Outro que da criança tudo sabe.


Considerações Finais

É importante ressaltar que não está em discussão o inatismo da condição autista. Não está sob ataque a perspectiva de que há componentes do aparato biológico do indivíduo que sejam típicos do autismo. A postura que Jeanne Marie assume é, antes de tudo, ética. É combatente ao determinismo biológico que não considera na equação a singularidade do sujeito e das suas soluções para existir. Trata-se de não compactuar com a postura de aceitação da condição sentenciosa que o autismo pode vir a assumir, baseando-se sempre na observação da melhora objetiva de casos clínicos, e através da compreensão de que as manifestações da psicose, como já há muito dizia Freud, são esforços de cura que o próprio sujeito empreende, e não manifestações da doença. A autora sustenta, por fim, a hipótese de que “…elas [as crianças] trabalham na tentativa de simbolizar a perda do objeto e introduzir uma barra no Outro, que se constitui como desregulado e sem lei, por falta da operação da metáfora paterna”, e há, portanto, “possibilidade de que alguém, um analista, venha se incluir neste trabalho que a criança já realiza”.

Aliviando A Dor

Psicólogos estão explorando terapias complementares e abordagens integradas para tratar melhor do complexo problema da dor crônica

Por Stacy Lu

Psychologists are exploring complementary therapies and integrated approaches to better treat the complex problem of chronic pain.

Se o câncer é “o imperador de todos os padecimentos”, como o médico e autor Siddhartha Murkherjee escreveu, a dor crônica pode ser a imperatriz, afetando 100 milhões de pessoas nos Estados Unidos e custando até $630 bilhões a cada ano em tratamentos e perda de produtividade, de acordo com um relatório de 2011 do Instituto de Medicina (Institute of Medicine – IOM). Para muitos, a dor crava garras e corta profundo. Uma pesquisa de 2012 financiada pelo Centro Nacional para Saúde Complementar e Integrativa (National Center for Complementary and Integrative Health – NCCIH) descobriu que por volta de 25.3 milhões de adultos nos Estados Unidos – 11.2 porcento – estiveram em dor por todos os dias nos três meses precedentes, e quase 40 milhões experimentaram dor severa.

Americanos geralmente buscam alívio da dor em pílulas, com algo entre 5 milhões a 8 milhões usando analgésicos opióides para aliviar a sua dor, de acordo com um relatório de 2015 dos Institutos Nacionais de Saúde (National Institutes of Health – NIH). Esse número tem aumentado muito, de 76 milhões de prescrições em 1991 para 219 milhões em 2011.

Mas medicação não funciona para todo mundo, e o número de pessoas viciadas ou que tiveram overdose de analgésicos vem crescendo, o relatório apontou. Cirurgia, outra opção de tratamento para alguns tipos de dor, é caro, frequentemente inefetiva e pode requerer uma longa recuperação. Enquanto isso, pesquisas sugerem que a dor crônica é uma condição complexa que envolve emoções, incluindo estresse e ansiedade, percepções e influências sociais.

Sob a luz desses ‘insights‘, um número de agências governamentais estão lançando uma estratégia nacional para a dor para supervisionar a pesquisa, prevenção e tratamento da dor crônica (veja aqui). A estratégia chama atenção para o impacto debilitante da dor crônica na saúde pública, e mapeia cuidado coordenado, compreensivo que atenda melhor a experiência dela de cada pessoa, disse Linda Porter, PhD, conselheira de políticas para a dor no Instituto Nacional de Transtornos Neurológicos e Derrame, que faz parte da supervisão do comitê do projeto.

“Nós estamos procurando por uma abordagem multidisciplinar e múltiplas modalidades, incluindo medicina complementar, e por uma maneira de compensar por essas estratégias – uma maneira que realmente dirija-se aos aspectos biopsicosociais da dor”, ela diz.

Em sincronia com essa mudança, cientistas estão depositando mais esforços em estudar terapias complementares, incluindo hipnose, meditação e ioga, que possam ser capazes de aliviar a dor com menos efeitos colaterais e ajudar as pessoas a gerenciar seus próprios sintomas. O cuidado deve ser adaptado às necessidades de cada pessoa e um plano de tratamento da dor deve envolver psicólogos, clínicos de cuidados-primários e fisioterapêutas explorando esses caminhos para agregar positivamente às abordagens tradicionais de gerenciamento da dor, dizem os especialistas.

“Nenhuma destas terapias é a cura em si – é um fator de combinação entre a pessoa e o melhor tratamento”, diz o psicólogo Mark Jensen, PhD, do departamento de medicina da reabilitação da Universidade de Washington. “Nossos achados indicam que há um bom número de tratamentos psicológicos que podem beneficiar subgrupos de pessoas tremendamente. De fato, dada a sua eficácia geral e a ausência de efeitos colaterais negativos, estes deveriam provavelmente ser considerados tratamentos de primeira-linha para muitas condições de dor crônica.”

A Promessa da hipnose

Estudos usando tecnologia de imageamento-cerebral, assim como fMRI (Imageamento por Ressonância Magnética funcional, PET (Tomografia por Emissão de Positrons) e EEE, têm mostrado que a experiência de dor crônica envolve múltiplas áreas do cérebro. Como o neurocientista Apkar Vania Apkarian, PhD, da Universidade Northwestern, escreveu em Pain Manegement (Gerenciamento da Dor, em tradução livre) em 2011, enquanto a dor aguda geralmente ativa as regiões corticais somatosensorial, insular e cingulada, a dor crônica ativa primariamente o córtex pré-frontal e os sistemas límbicos, áreas relacionadas com a emoção e auto-reflexão. Além disso, diferentes tipos de dor ativam diferentes padrões de atividade.

Muitos estudos têm provado que diferentes sugestões hipnóticas podem alcançar todas as áreas do cérebro envolvidas no processamento da dor, habilidade que é uma tremenda vantagem para o tratamento de um problema tão complexo, de acordo com Jensen e seu colega David Patterson, PhD, da Universidade de Washignton, em um artigo de 2014 para a publicação American Psychologist. Escaneamentos cerebrais mostram que sugestões para diminuir a intensidade da dor provocam uma resposta em algumas regiões, enquanto sugestões que aumentam a aceitação da dor – talvez encorajando pacientes a examiná-la à distância ou a perceber que ela é temporária – trará registro em outras.

“Hipnose é uma das coisas mais promissoras que nós podemos oferecer para retreinar a resposta à dor do cérebro”, diz Patterson.

Em soma ao alívio da dor, muitos participantes de estudos relataram que após a hipnose eles experimentaram benefícios como melhoria do sono, relaxamento ampliado e aumento na energia. Auto-hipnose – e as sugestões que ela vai proporcionar para confortar na demanda – ajuda pacientes a praticar terapia no seu próprio tempo.

“Esses são tratamentos onde pacientes são ensinados a pescar. São dadas a eles habilidades para ajudar a si mesmos”, disse Jensen.

Dito isso, pesquisadores ainda estão procurando por uma resposta clara para o como a hipnose reduz a dor. Pessoas com algum nível de ‘hipnotizabilidade’ parecem apresentar uma redução no julgamento crítico enquanto estão sendo induzidos à hipnose, aceitando sugestões passivamente e sem juízos, diz Patterson. Jensen aponta que há mais atividade elétrica de onda theta no cérebro durante tal estágio, sugerindo um padrão de atividade cerebral que é consistente com a resposta a sugestões.

“É como se nós pudéssemos falar diretamente às áreas do cérebro que processam a dor, amortecendo a parte do cérebro que nos diz que uma sugestão é normalmente impossível”, diz Patterson. “Nós podemos ver mudanças percentuais marcantes que não seriam antecipadas durante um estado normal, acordado.”

Patterson está também estudando como o hipnotismo pode ser aplicado via realidade virtual. Ele testou um programa que combinou imagens visuais com pistas para relaxamento e sugestões para conforto e alívio da dor em 21 pacientes hospitalizados recuperando-se de ferimentos (Revista Internacional de Hipnose Experimental, 2010). Participantes que usaram a tecnologia relataram menos severidade e o desprazer da dor do que aqueles em grupos controle. Usar tal programa poderia ajudar a endereçar esforços contra uma barreira significante para a plena difusão do uso da hipnose: a falta de clínicos adequadamente treinados para aplicá-la, especialmente para gerenciamento da dor, ele diz.

Momentos meditativos da Ioga

Pesquisas também sugerem que a ioga pode ser um tratamento efetivo para a dor. Uma revisão publicada em 2013 na Revista Clínica da Dor de 10 testes aleatórios com 967 pessoas ao todo, dirigida por Holger Cramer, PhD, da Universidade de Duisburg-Essen na Alemanha, descobriu fortes evidências de que a ioga é efetiva para alívio de curto-prazo de dor lombar – a forma mais comum de dor – e se constitui ajuda moderada para dor lombar de longo-prazo.

A ioga tem um número de componentes que podem ser de ajuda, incluindo movimento meditativo, focado, que pode ter efeitos positivos no cérebro, proporcionando mudança na percepção da dor, diz Catherine Bushnell, PhD, uma psicóloga experimental e investigadora sênior no NCCIH, que devotou cerca de 30 porcento de seu orçamento de pesquisa para estudar dor.

De acordo com um estudo publicado em Cerebral Cortex, 2014, dirigido por Chantel Villemure, PhD, um cientista do laboratório de Bushnell, iogues experientes tiveram maior tolerância da dor do que um grupo controle de não-iogues e também mostraram aumento do volume de conectividade da massa cinzenta e massa branca na ínsula, uma região conhecida por estar envolvida no processamento da dor.

De fato, como Bushnell escreveu na revista Pain (2015), ioga e meditação podem ter efeitos estruturais e funcionais no cérebro opostos à dor crônica, que algumas vezes está associada com perda acelerada de massa cinzenta e integridade comprometida de massa branca. Ioga também envolve exercício físico, o que é evidenciado por pesquisas que pode melhorar por si só sintomas de dor, ela diz.

Enquanto isso, J. Greg Serpa, PhD, um psicólogo e professor de Redução de Estresse Baseada em Mindfulness (Atenção Plena – MBSR) do Departamento de Assuntos dos Veteranos (VA) na Grande Los Angeles, ensina ioga em cadeira para veteranos imobilizados, que fazem pouco exercício durante a terapia mas ainda assim relatam grandes benefícios.

“É simplesmente trazer a autoconsciência do movimento para dentro do corpo, e aprender a estar em seu corpo mesmo com dor. É observar a experiência enquanto você se move e a reelaborar, observando como as sensações de dor aumentam e diminuem e tentar escapar ao pensamento: ‘Eu estou em dor todo o tempo e ela é intratável’ “, ele diz.

De acordo com uma pesquisa de Robin Toblin, PhD, e colegas no Instituto de Pesquisa Exército Walter Reed (JAMA Internal Medicine, 2014), cerca de 44 porcento de combatentes veteranos experimentam dor crônica e 15 porcento usam opióides regularmente, taxas muito mais altas do que em civis. O VA, juntamente com o NCCIH, colocou nova ênfase em estudar tratamentos complementares de dor para veteranos para achar terapias mais efetivas e menos custosas que promovam auto-gerenciamento. Estudos sugerem que veteranos também as recebem bem.

“Os ‘vets’ amam”, diz Serpa. “Eles frequentemente dizem, ‘Eu estou com muita dor mas estou cansado de tomar todas essas pílulas. O que mais há aí?’ “

Um mapa de evidências de revisões preparado para o VA mostrou que a ioga era uma opção de tratamento razoável para dor crônica nas costas, embora, dada a “natureza multidimensional” da dor, ela poderia não ser suficiente por si só; pacientes podem também se beneficiar em acrescentar terapia cognitivo comportamental à sua prática da ioga (Programa de Síntese Baseado em Evidências, 2014). A ioga demonstrou benefícios potenciais para sintomas de depressão assim como naquela revisão, o que é uma importante relação benéfica, já que a depressão frequentemente anda lado a lado com a dor crônica, com uma condição exacerbando a outra.

Drogas para a dor podem piorar as coisas. Em um estudo recente com 1,176 pessoas que tomam opióides, conduzido por Jenna Goesling, PhD, da Universidade de Michigan e colegas, mais usuários de opióides relataram sintomas de depressão comparado com aqueles que não tomavam opióides para a dor, uma associação que cresceu com o passar do tempo (Journal of Pain, 2015). Essa é outra razão pela qual a terapia é um ativo, um recurso, diz Beverly Thorn, PhD, presidente do departamento de psicologia da Universidade do Alabama.

“Eu argumentaria que essas pessoas não estão sendo tratadas apropriadamente para a depressão”, ela diz. “Eles estão se apresentando às clínicas de cuidados básicos e estão recebendo opióides. Um bônus com a terapia cognitivo comportamental [para dor] é que não há efeitos colaterais negativos e ela também trabalha a favor da saúde mental”.

Mindfulness e auto-gerenciamento

Pesquisadores estão também explorando intervenções de ‘mindfulness’ para gerenciamento da dor. A terapia mais frequentemente usada e estudada é a MBSR, um curso grupal de oito semanas que inclui educação em psicologia e fisiologia do estresse, ioga e meditação, e Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness, que tece a terapia cognitiva, incluindo ensinar as pessoas a examinar conexões entre cognição e comportamento, na MBSR. Um artigo de Melissa Day, PhD, da Universidade de Queensland na Austrália, e colegas no The Journal of Pain (2014) conclui que intervenções baseadas em ‘mindfulness’ têm efeitos similares em reduzir a intensidade da dor a outras intervenções psicossociais, tais como a terapia cognitivo-comportamental.

Assim como psicoterapia, muitos estudos sugerem que a meditação ‘mindfulness’ pode trazer mudanças cerebrais que ajudam a aliviar a dor com o passar do tempo. (Veja a edição de Março de Monitor, “Mindfulness holds promise for treating depression.”) Especialmente, tanto a terapia cognitivo-comportamental quanto o ‘mindfulness’ estão associados com o aumento da densidade de massa cinzenta e atividade neural na ‘rede neural em modo padrão’, sistema interconectado que está ativo durante estados de repouso em vigília. Adicionalmente, pesquisas sugerem que esses tratamentos aumentam o tamanho e a conectividade do córtex pré-frontal e do giro cingular anterior, regiões associadas com a atenção, memória de trabalho, resolução de problemas, e regulação emocional. Há também reduções em atividades neurais e massa cinzenta na amígdala – que é associada com a resposta de estresse luta-ou-fuga, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático – e o córtex pós-cingulado, que é associado com errância mental, diz Thorn.

Terapias baseadas em ‘mindfulness’ também enfatizam ajudar pessoas a reenquadrar respostas à dor ao invés de prometer uma cura”, ela diz, acrescentando, “Se trata de ensinar a alguém como observar seus pensamentos ou sentimentos sem fugir deles ou se auto-medicar.”

Esse senso de auto-mestria pode ser um bálsamo por si próprio. Por exemplo, Peter la Cour, PhD, um psicólogo do Centro Multidisciplinar da Dor de Copenhagen, testou MBSR em 43 pacientes com dor crônica. Comparado com um grupo controle, participantes que praticaram mindfulness tiveram melhoras significantes em vitalidade, bem-estar e sentimento de controle sobre a dor, assim como menos sintomas de ansiedade e depressão – ainda que a sua dor não tenha diminuído (Pain Medicine, 2015).

Com imageamento cerebral, neurocientistas têm sido capazes de ver como a experiência de dor envolve pensamentos e emoções, outra razão pela qual um tratamento mesma-medida-para-todos, biomedicamente focado, como os opióides ou a cirurgia, pode falhar. Um estudo usando fMRI e calor aplicado em 33 pessoas por Tor Wager, PhD, na Universidade de Colorado em Boulder, e colegas, descobriu que a dor despertou duas diferentes respostas cerebrais. Uma rede, a qual os pesquisadores chamam de assinatura neurológica da dor, refletiu sensações de dor física em um certo número de regiões cerebrais. Entretanto, quando questionados a pensar a respeito de sua dor de maneiras em que ela diminuísse ou aumentasse – que fossem efetivas – as pessoas usaram outro processo cerebral que envolveu o núcleo accumbens e o córtex pré-frontal ventromedial, áreas conectadas à avaliação e à emoção (PLOS ONE, 2015).

Milhões de americanos também usam acupuntura para dor crônica, de acordo com o NIH. Uma meta-análise de quase 18,000 pacientes feita por Andrew Vickers, DPhil, e colegas no Centro Memorial de Câncer Sloan-Kettering, descobriu que a acupuntura alivia dores nas costas, pescoço e ombros, assim como dores de cabeça crônicas e a dor associada com a osteoartrite (Archives of Internal Medicine, 2012). Entretanto, as diferenças em resultados entre acupuntura real e fraudulenta foram “relativamente modestas”,os autores relatam, sugerindo que uma resposta placebo ou certos contextos de tratamento estavam operando. A maneira pessoal em que nós percebemos a dor é uma razão pela qual o efeito placebo é um importante fator no tratamento, Bushnell diz, seja o tratamento complementar ou tradicional. “Mesmo que seja apenas um placebo muito forte, se alguns dos mecanismos estão baseados em um estado psicológico, não há nada de errado com isso.” (Veja “Grandes Expectativas” na edição de Maio de Monitor para mais sobre como o placebo funciona.)

Alfabetização em dor

Pesquisas sugerem que simplesmente entendendo como e por que nós sentimos dor física pode também ajudar a aliviar os sintomas. Um estudo de Jessica Van Oosterwijck, PhD, uma pesquisadora do pós-doutorado em ciência da reabilitação na Universidade de Ghent, descobriu que um curso intensivo de informação sobre fisiologia da dor levou à redução da dor e da preocupação e aumento das atividades de 15 pacientes com fibromialgia comparado com um grupo controle (The Clinical Journal of Pain, 2013).

Uma razão pode ser por que educação da dor pode reduzir a catastrofização, o que significa ter menos crenças negativas sobre a dor e suas consequências e prognósticos. Catrastofizar piora desfechos, de acordo com numerosos estudos que Judith Turner, PhD, professora de psiquiatria e ciência comportamental na Universidade de Washington, conduziu com colegas.

“Muitos pacientes focam em descobrir e consertar a fonte da dor, mas prover educação para que o paciente possa entender como a dor crônica envolve o cérebro e a medula espinhal, não apenas as partes do corpo que doem, pode mudar a experiência da dor”, diz Turner.

Entretanto, acesso a tal educação pode ser um desafio para alguns pacientes, particularmente aqueles vivendo em áreas rurais ou os com baixa instrução formal. Para endereçar o problema, Thorn e Joshua Eyer, PhD, da Universidade do Alabama, estão testando um programa de educação da dor adaptado para iletrados, direcionado a pessoas de baixa renda com dor crônica e comparando sua efetividade com terapia cognitivo-comportamental em grupo. (Veja o protocolo na Journal of Health Psychology, 2015). A abordagem de educação-apenas usa linguagem e ilustrações simples, sem introduzir conceitos terapêuticos, o que pode fazê-la mais acessível e menos intimidante, os autores dizem. Um estudo mostrou redução de sintomas da dor tanto quanto na terapia comportamental (Pain, 2011).

“[Muitos] pacientes não dispõem de muito tempo com seus provedores de cuidado. Eles são informados que têm uma condição de dor crônica, e então eles recebem a prescrição para um medicamento”, diz Thorn. “Mas para alguns, pode ser que apenas educação já seja terapêutico.”

Tal educação – assim como outras abordagens complementares para o tratamento da dor – requer um cuidado mais integrado do que o que está geralmente disponível no sistema de cuidados da saúde, dizem especialistas.

O campo vai avançar se mais psicólogos estiverem envolvidos. A pressão para mudança precisa vir dos formuladores de políticas e de pacientes individuais”, diz Jensen, acrescentando,”No fim, a mudança vai acontecer por que uma abordagem puramente biomédica custa dinheiro, e não funciona assim tão bem”.

Leituras adicionais
  • Andrews, N. (2015, Jan. 29). A non-pharmacological approach to pain: A conversation with Catherine Bushnell.Boston, MA: Pain Research Forum. Retrieved  from http://www.painresearchforum.org/forums/discussion/50044-non-pharmacological-approach-pain-conversation-m-catherine-bushnell
  • Gereau, R. W., IV, Sluka, K. A., Maixner, W., Savage, S. R., Price, T. J., Murinson, B. B., . . . Fillingim, R. B. (2014). A pain research agenda for the 21st century. The Journal of Pain, 15, 1203–1214.
  • Jensen, M. P. (Scholarly Lead). (2014). Chronic pain and psychology [Special issue]. American Psychologist, 69(2).
  • Jensen, M. P., Sherlin, L. H., Askew, R. L., Fregni, F., Witkop, G., Gianas, A., . . . Hakimian, S. (2013). Effects of non-pharmacological pain treatments on brain states. Clinical Neurophysiology: Official Journal of the International Federation of Clinical Neurophysiology, 124, 2016–2024.
  • Reuben, D., Alvanzo, A., Ashikaga, T., Bogat, G., Callahan, C., Ruffing, V., & Steffens, D. (2015). National Institutes of Health Pathways to Prevention workshop: The role of opioids in the treatment of chronic pain. Annals of Internal Medicine, 162, 295–300.
Artigos relacionados

Traduzido por Mytchel Costa

Para ler o artigo original publicado pela APA, acesse: http://www.apa.org/monitor/2015/11/cover-pain.aspx

Esta Atividade Adia O Envelhecimento Cerebral

Dr. Jeremy Dean

Imagem retirada de Shutterstock

Ordinariamente, cérebros mais velhos precisam trabalhar mais duro para fazer o mesmo trabalho que cérebros mais jovens

A conexão entre boa forma física, melhor funcionamento cerebral e ativação cerebral foi demonstrada pela primeira vez.

Pesquisa com homens japoneses idosos mostrou que o cérebro daqueles que estão em melhor forma física apresentam o desempenho de homens bem mais jovens.

O achado é baseado em como padrões típicos de ativação cerebral mudam com a idade.

As imagens abaixo mostram a diferença entre a ativação mental em cérebros jovens e velhos em um típico teste de memória.

Como você pode ver, adultos jovens usam primariamente o lado esquerdo do córtex pré-frontal para a tarefa de memória de curto prazo.

brains

Adultos mais velhos, por outro lado, tendem a usar os lados esquerdo e direito do cérebro igualmente para a mesma tarefa.

A razão é que com a idade o cérebro tipicamente não funciona tão bem, então nós precisamos utilizar mais dele para realizar a mesma tarefa.

Os Neurocientistas têm um apelido para essa mudança: HAROLD. E que significa: “redução da assimetria hemisférica em adultos idosos” (Hemispheric Asymmetry Reduction in OLDer adults”).

[Eu chamo de CMVPTMD, ou Cérebros Mais Velhos Precisam Trabalhar Mais Duro. É possível que meu acrônimo precise ser trabalhado melhor.]

No estudo, entretanto, neurocientistas descobriram que homens mais velhos que estavam em melhor forma tenderam a usar o lado esquerdo de seus cérebros mais, exatamente como pessoas mais jovens.

Além disso, idosos em melhor forma também tiveram tempos de reação mais rápidos.

O Professor Hideaki Soya, que dirigiu o estudo, disse:

“…uma possível explicação sugerida pela pesquisa é que o volume e a integridade da massa branca na parte do cérebro que conecta os dois lados declina com a idade.

Há alguma evidência para apoiar a teoria de que adultos em melhor forma são capazes de preservar melhor essa massa branca do que adultos em pior forma, mas são necessários mais estudos para confirmar tal teoria.”

Nós não sabemos ainda se os resultados seriam os mesmos para mulheres, mas seria surpreendente se não fossem.

O estudo foi publicado na revista Neuroimage (Hyodo et al., 2015).


Para ler o artigo original publicado pelo PsyBlog, acesse: http://www.spring.org.uk/2015/10/the-number-1-way-to-keep-your-brain-young.php

Traduzido por Mytchel Costa